terça-feira, 25 de maio de 2010

Defina

As vezes o próprio sentido de sentir foge de onde conseguimos iluminar e se senta na sombra da nossa racionalidade, e leva consigo não só os tijolos mas nossa capacidade de construir muros, junto a ele perdemos o setindo, a direção, confundimos os sentidos, Nos tornamos espectadores de nossas vontades e sonhos, deixando-os a vontade para percorrerem livremente o caminho que quiserem. Se como um tapa de relance o medo te acertar, não estamos falando da mesma coisa porque neste caso o próprio medo teme atrapalhar.


Aos que amam, este é um poema, aos que choram, um relato. Leia-o como quiser.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Mínimo

Eu não sou perfeito, mas sou honesto! Quando encontro celulares em bancos de cinema, carteiras em bancos de ônibus, ou mesmo guarda chuvas em bancos de praça, devolvo, Aliás, sempre que consigo devolvo tudo, principalmente sorrisos, abraços, bom dias, alegria.

Eu não sou santo, mas sou sincero! Minhas mentiras não vão além de um "tô chegando" pouco antes de sair de casa. Aliás, eu sempre tento chegar, onde quero, onde me esperam, onde precisam de mim, onde posso ajudar.

Eu sou grande, mas também sou humilde! Minha parca sabedoria me ensinou que na escada que me conduz ao alto, cada degrau tem um nome, e que eu não piso neles, e sim eles me empurram pelos pés para cima.

Eu dou moedas a menina (ou rapaz) toda pintada na rua que passou para arquitetura na UFRJ, mas dou moedas também a senhora sentada no meio fio pintada de uma tinta feita de sujeira e descaso, mas essa só passou dificuldades. Aliás faço isso porque mesmo que a moeda seja a para um copo de cachaça ao invés de uma pão, ainda é mais louvável um cobertor em uma noite fria ou uma rota de fuga em mais uma noite triste do que mais uma história engraçada (por vezes nem tanto) de faculdade.

Eu sou e faço muitas coisas, mas também não sou e não faço muitas outras, não chamo esses atributos acima de qualidades, não sou especial por esses motivos e certamente não deveria ser a exceção.

Eu não sou o máximo, nem o melhor, muito pelo contrario, eu sou o mínimo, o mínimo que poucos são, mas que todos deveriam ser.

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terça-feira, 2 de março de 2010

Sou.riso

Rio sem motivo
Rio sem querer
Meu riso nem sempre tem sentido
Não precisa ter

Ri, pois por mais de uma vez
Era o que me restava
Ou ria ou chorava
O riso era com quem sempre contava

Ri. E ninguém entendeu
Ri, porque me anestesiava
Nas dores mais fortes
Pomada de gargalhadas

Rio porque ainda consigo
Rio sem vontade, rio a revelia!
Rio porque jamais me negarei um sorriso
Eu rio
Mesmo que de teimosia

Rio apesar das quedas d' água
Porque não há o que me faça represar
Rio, seja córrego ou cascata
Sempre desagua no mar

Eu rio por opção!
Sem opção, sem condição
Rio até parar de chorar
Rio com força, de raiva, até cansar

Exausta de todo o ocorrido
Me escapa um cansado sorriso
Porque sou isso
Eu sou riso
Frouxo, forte e recorrente
Independente do que já tenha acontecido
Sou Feliz, Sempre!

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Triste espanto

A 2 dias atrás, eu fui ao Hospital São Vicente de Paula doar sangue onde, em um bate-papo quase que tradicional com o pessoal do banco de sangue, descobri que as geladeiras estão praticamente vazias tanto de sangue quanto de plaquetas. O mais rápido que pude hasteei a bandeira e comecei a comentar com todos os pude (e lembrei) sobre a doação, eis que então tive a idéia de colocar no MSN um pedido, DOEM SANGUE, quase que imediatamente alguém veio me perguntar o porque daquilo, se estava tudo bem com a minha mãe, visto o seu histórico médico uma preocupação até muito bacana. Logo segui com minha campanha particular o que me levou a ouvir por diversas vezes coisas como "garantiu a vaga no céu", "porque isso agora" ou até "bom menino".

Eu entendo que o elogio manifesta a admiração por algo, seja um gesto, um rosto, um trabalho etc... e embora confesse que isso me massageava o ego não podia aceita-los de bom agrado, não podia me vangloriar disso, não chegarei as raias de dizer que é um obrigação, mas me preocupa muito ver que doar sangue virou algo tão nobre, e não só isso, hoje as pessoas são admiradas e por vezes causam até estranheza quando acham algo de valor na rua e devolvem ao dono, ou quando recebem um troco a mais agem da mesma forma de quando recebem a menos, quando simplesmente quando não tiram vantagem de uma situação pelo simples fato de serem honestos.

Vamos pensar um pouco, porque esta tão raro ouvir "Esse cara é honesto" como uma mera observação? Porque as virtudes mínimas tem se tornado opcionais? Porque o espanto em que se faça o bem a outro por pura vontade? Não espero que vivamos apenas de virtuosos, que todas as pessoas sejam boas, isto é utopia, mas que pelo menos seja algo comum, que não cause tanto espanto ver "pessoas comuns" agindo assim, que não esperemos a caridade ativa, o gesto nobre, o ato do bem apenas das Zildas Ars, dos Betinhos e muitos outros semi-anônimos, esperemos isso do nosso vizinho, do nosso colega de trabalho, de um estranho na rua, de nosso espelho! Não vamos mais nos sentir acanhados ou em casos extremos até envergonhados em ajuda para outros, vamos criar o assunto ao invés de espera-lo acontecer.

"Quero viver de sonhos, de sorriso, de olhares brilhantes...quero fazer diferença na vida das pessoas e na minha vida. Pretendo deitar a cabeça no travesseiro e dormir sorrindo pelo simples fato de ter feito alguém mais seguro, mais feliz. Não tenho medo do trabalho difícil, trabalhoso...o único medo que tenho é o de não fazer a diferença." (Gabriella Russano, 25-02-2010)

Eu imploro! Leiamos, entendamos, façamos coro, façamos músicas sobre isso, cantemos a plenos pulmões, com o mesmo afinco que cantamos sobre o amor, pois não há diferença.
Não precisamos apagar o incêndio, apenas pingue a sua gota.

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Informações sobre doação de sangue:
http://www.hemorio.rj.gov.br/

Informações sobre doação de medula óssea:
http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=64

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Sabedoria comum

O sábio nem sempre é o que tudo sabe, as vezes é só o que quer saber, ele entende que pouco realmente sabe, ele troca o ensinar, pelo aprender. O sábio quase nunca é cheio de palavras e nem precisa ser. O grande sábio acontece, por acidente, por acidentes, simplesmente por acontecer. Tem sábio que pede conselho, tem sábio que não entende o espelho, tem sábio que é sem saber.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Minhas

Se traz algo
Que não mostra
É por medo da aposta
Por acanho da proposta
Ou por insatisfação

Não entende
Que aquilo força-se a nao me mostrar
De tão leve e denso
Paira no ar
De tanta vontade, escapa no olhar

E quanto mais tenta disfarçar o óbvio
Tu acabas por adjetivar substantivos
A conjugar no hiperlativo
E confessas ao se calar

Sem compricação

Que brisa é essa seu moço
Que se exprema pela fresta da janela
Di tão mansa não apaga luz de vela
Di tão ligera, seca suor das mão

Que brisa é essa seu moço
Ventania que inverte água de rio
É força que tira da mão o fio
E transforma vento im furacão

Essa tar brisa seu moço
Já vi sopra puera antiga
Já vi discurá ferida
E intortá homem bão

Essa tar brisa seu moço
É sussurro que caçoa
É o ar dos pulmão no riso a toa
É a desavença di quem tem razão

Mas digo já seu moço
Que essa tar brisa é quente
É vento que venta de repente
É gás que acende lampião

E digo então seu moço
Que sem faze arvoroço
Sem faze muito esforço
Respiro meu coração

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